segunda-feira, 9 de julho de 2012
Estatuto do Naciturno: direitos da mulheres ameaçados
Nós integrantes das articulações e redes, organizações e ativistas que trabalham para os Direitos Humanos das mulheres no Brasil, queremos alertar para o fato de que tramita na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara Federal dos Deputados, o Projeto de Lei nº 478/2007, que visa estabelecer os direitos dos embriões (chamados, nascituros). Esse projeto, conhecido por Estatuto do Nascituro, baseia-se na crença que a vida tem início desde a concepção, ou seja, mesmo antes do ovo ser implantado no útero.
Uma das principais conseqüências da aprovação desse Projeto de Lei é contrariar o ordenamento jurídico vigente ao atribuir direitos fundamentais ao embrião, mesmo que ainda não esteja em gestação, partindo de uma concepção equivocada de que o nascituro e o embrião humanos teriam o mesmo status jurídico e moral de pessoas nascidas e vivas.
Esse projeto de lei viola claramente os Direitos Humanos e reprodutivos das mulheres, a Constituição Federal e a lei penal vigente - que não pune o aborto realizado em casos de risco de vida e de estupro - , ignora a relação de causa e efeito entre a ilegalidade do aborto, os altos índices de abortos inseguros, e as altas taxas de morbidade e mortalidade materna no Brasil, e põe em risco a saúde física e mental, e mesmo a vida, das mulheres.
http://estatutonascituronao.fw2.com.br/
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Dados demonstram vulnerabilidade das mulheres diante do HIV/Aids

feminista Flora Tristán organizou dados de várias pesquisas no Peru que demonstram a
vulnerabilidade das mulheres diante do HIV/Aids. Questões relacionadas à anatomia, mas
fundamentalmente aos valores machistas, contribuem para a feminização da Aids no país.
De acordo com o material, em 1986, três anos após o registro do primeiro caso de Aids no Peru, para cada mulher infectada pelo HIV havia nove homens na mesma situação. Hoje, para cada mulher, há três homens com o vírus.
Para a organização, a desigualdade de gênero e o machismo contribuem para a aceleração dadisseminação do HIV/Aids entre a população feminina. "Ambos os fatores limitam a capacidade das mulheres, por exemplo, para negociar práticas sexuais seguras, como o uso contínuo depreservativos, principalmente quando as relações sexuais se dão no marco de uma relação de casal considerada estável”, pontuam, acrescentando que isso se evidencia mesmo quando se suspeita que o parceiro tenha posturas sexuais de risco ou para lhe exigir um exame que detecta HIV ou outras DSTs.
Há situações ainda mais complicadas, como as de violência sexual. Neste contexto, é quase
impossível negociar as relações sexuais e o uso do preservativo, assinalam as feministas. De acordo com pesquisa sobre saúde familiar do Instituto Nacional de Estatística e Informática, 22,4% das mulheres entre 40 e 49 anos foram obrigadas, alguma vez, a ter relações sexuais com o esposo ou companheiro. 14% foram obrigadas a manter relações sexuais que não desejavam.
Somada a essa conjuntura de violência sexual, inclusive dentro do matrimônio, vem o fato de a
anatomia feminina representar maior facilidade de infecção. Como informa o texto de Flora Tristán, o risco para as mulheres, em uma relação vaginal desprotegida, é de 2 a 4 vezes mais grave do que para o homem – a zona de exposição ao vírus durante a relação sexual é maior para as mulheres, além de que a carga viral é maior no sêmen do que nas secreções vaginais.
Para as adolescentes a situação é ainda mais perigosa, uma vez que o colo do útero tende a ser
imaturo e as paredes da vagina são menos grossas. As mulheres na menopausa também se tornammais expostas, pois a superfície da vagina tende a se tornar mais fina.Consideradas um grupo de baixo risco, as mulheres acabam sendo deixadas em segundo plano quando o assunto são políticas de prevenção ao HIV/Aids. Contudo, a feminização da doença e estimativas de novos casos mostram que já é preciso modificar essa visão, principalmente com relação a mulheres heterossexuais e monogâmicas.
O Estudo de Estimativa da incidência do HIV aplicando o modelo de Modos de Transmissão para
epidemias concentradas prevê que do total de novos casos de infecções, 43% serão entre
heterossexuais. Desta porcentagem, 15% são heterossexuais pertencentes ao grupo de baixo risco e 18% são as mulheres cujos parceiros são clientes de profissionais do sexo, dos homens que fazem sexo com homens (HSH) ou são usuários de drogas injetáveis.
Uma das maneiras de resguardar as mulheres seria investir em informação e na disponibilização ampla, por parte do Estado, de preservativos femininos, que atualmente não são encontrados nem em postos de saúde nem no mercado.
"As estatísticas demonstram que as mulheres de todas as idades usam o preservativo em uma baixa porcentagem quando têm relações sexuais com o esposo ou companheiro. As adolescentes e as mulheres entre 40 e 49 anos são as que menos usam este método de proteção”, adverte.
Ainda segundo o órgão, 0,6% da população peruana tem HIV, mas a infecção é considerada
concentrada, pois entre os grupos dos HSH, 10% convivem com o vírus e entre os travestis a
porcentagem chega a 40%. A maioria dos casos está nas cidades e departamentos mais urbanizados, na costa e na selva peruana – Lima e Callao concentram 73% das ocorrências.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
JOGADOR DE FUTEBOL AMERICANO E FEMINISTA
O ex-jogador de futebol americano Don McPherson se apresenta como feminista.
Em várias de suas palestras, ele diz que é feminista faz tempo: “Prestamos um desserviço aos homens quando dizemos pra eles que são menos homens por se importarem com assuntos de gênero”. E adorei esta parte (minha tradução) de um de seus discursos. Ele descreve como uma relação sexual hétero é vis
ta pela sociedade (e isso que os americanos não adotam termos ridículos como dar e comer, que torna as mulheres invariavelmente passivas, já que mulheres dão, homens comem): “É assim que sexo é apresentado para meninos – não é intimidade, não é a parte do carinho ou a parte igualitária que tiramos, é algo que fazemos ao outro. Criamos mulheres para sobreviver numa cultura de estupro, porque criamos mulheres que sabem dessas coisas. Não fazemos nada para falar com os homens sobre estuprar. Mas falamos com as mulheres para elas se protegerem, o que faz com que coloquemos a culpa nas mulheres quando algo acontece. 'Bem, você não sab
ia que não devia ter feito isso? Você não sabia que não podia usar aquele vestido? Ou você não sabia que não podia andar naquela rua naquela hora da noite?'” Pois é, em vez de educar meninas para não serem estupradas, que tal educar meninos para não estuprarem?
E que tal se mais homens fossem feministas?
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Fonte: http://escrevalolaescreva.blogspot.com/
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Brasil avança na igualdade de gênero, mas é o penúltimo entre sul-americanos
(Folha de S.Paulo/O Globo) O Brasil tem hoje uma presidente mulher e o rendimento do trabalho feminino vem aos poucos aumentando, mas o país continua mal posicionado no ranking mundial da igualdade entre homens e mulheres. Segundo a lista divulgada pelo Fórum Econômico Mundial, na América Latina só o Suriname está pior que o Brasil.
The Global Gender Gap Report 2011
The Global Gender Gap Report 2011: Rankings and Scores
Em parte a melhora da posição brasileira deve-se à eleição da presidenta Dilma Rousseff e à oscilação positiva na renda das mulheres em comparação com a dos homens que exercem a mesma função.
Paradoxalmente, é na atuação política que o Brasil apresenta seu pior desempenho: fica em 114º - apenas 21 países são piores; a maioria deles, islâmicos.
"A participação das mulheres na força de trabalho [no Brasil] ainda é de 64%, abaixo da dos homens (85%). E elas são só 36% dos legisladores, autoridades públicas de primeiro escalão e gerentes", afirma o documento. "O que elas ganham ainda está abaixo de dois terços da renda dos homens; e no Congresso, são apenas 9%."
O Brasil vai bem nos quesitos acesso à saúde e expectativa de vida e fica no meio da lista em educação (66º) e em oportunidade econômica (68º).
Fonte: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2257:02112011-brasil-avanca-na-igualdade-de-genero-mas-e-o-penultimo-entre-aul-americanos&catid=44:noticias
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011
“MEU CASO VIROU MINHA CAUSA”

claramente: a abordagem masculina tem se tornado cada vez mais violenta. É banal um rapaz chegar pra uma moça numa balada e pegar no seu cabelo, no seu braço, na sua cintura, e tentar beijá-la à força. Quem lhes deu esse direito?Ontem à noite recebi por e-mail um texto que vem percorrendo o Facebook. Tentei entrar em contato com Dani, a moça que o escreveu, para pedir autorização para publicar seu relato aqui no blog, mas, como não obtive resposta, vou só descrever o que ela conta e colocar um trecho (o resto, pra quem tem
Facebook, pode ser lido aqui). Ela foi a uma boate em Belo Horizonte ver o cover de uma banda. Um rapaz bombado tentou beijá-la à força, ela recusou, ele então apertou sua bunda, ela disse que iria chamar o segurança, ele a chamou de lésbica, apertou seu braço, pôs a mão por baixo de seu vestido e a tocou, jogou energético em cima dela. Enquanto ela foi atrás do segurança, ele sumiu. E reapareceu, dizendo que mulheres tatuadas são lésbicas ou p*tas (tá parecendo mascus, que em geral são misóginos, violentos, covardes, marombados, e chamam tatuagem de “carimbo de p*ta”). O segurança falou com os dois e decidiu não fazer nada. Apareceu outro
que igualmente liberou o agressor. Ela foi falar com o dono da boate, que a aconselhou a se divertir, e ainda lhe desafiou: “pode chamar a polícia”.
Dani, revoltada, pergunta: “Até quando vai ser assim? Até quando as mulheres serão obrigadas a conviver com a violência? Até quando a nossa palavra não terá validade? O que sofri foi uma violência que me lesou em todos os aspectos! Fui desrespeitada por todos os homens que procurei para pedir ajuda. Sinal que todos são capazes da mesma atrocidade. Para eles, não foi nada de mais!” Dani diz que vai processar o estabelecimento.
E ela repete
o que tantas moças, assustadas com essa violência, esse sentimento masculino de entitlement (merecimento), dizem: que é melhor ir a boates gays, porque lá são respeitadas. Lá os homens não dão em cima agarrando, ou “partindo pro abate”, no linguajar dos mascus.
Uma das leitoras que me mandou o e-mail disse que seu pai veio lhe perguntar o que era isso “da moça que teve o braço quebrado”. Ela contou, e o pai não conseguiu acreditar que um sujeito deu um golpe que quebrou o braço de uma menina só porque ela lhe disse não. Pra esse pai, devia ter mais coisa aí (assim como
para o estudante de Direito e amigo da Hellen, que escreveu o guest post de ontem). Acho que a reação do pai da leitora é comum. Os homens parecem não fazer a menor ideia do mundo em que vivem as mulheres. Um mundo em que qualquer mulher sozinha é considerada à disposição e, portanto, não têm o privilégio de escolher, ou de negar, companhia. Um mundo em que uma mulher passa de objeto de desejo à p*ta (que merece ser agredida) em questão de segundos. Um mundo em que existe toda uma estrutura pra passar a mão na cabeça desses machinhos, que só estão agindo assim por instinto, e porque têm certeza que, no fundo, mulher gosta mesmo é de “pegada”.
a violência contra a mulher. Parabéns a ela e a Dani, que optaram por não se calar e a lutar contra seus agressores. O caso delas, e de tantas outras, reflete a velha história de sempre: homens lembrando mulheres que lugares públicos não são pra elas. Só pra eles.Fonte: http://escrevalolaescreva.blogspot.com/
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011
E a polêmica da propaganda da Hope continua...
(Folha de S.Paulo) Fausto Rodrigues de Lima, promotor de Justiça do Distrito Federal e coautor do livro "Violência Doméstica - A Intervenção Criminal e Multidisciplinar", escreve sobre a polêmica campanha publicitária "Hope ensina". No artigo, o promotor destaca o aspecto discriminatório aos homens presente na campanha. Leia trechos selecionados:
Fonte: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2150:05102011-buendchen-tambem-discrimina-os-homens-por-fausto-rodrigues-de-lima-folha&catid=44:noticias
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
28 de Setembro dia de luta para a Descriminalização do Aborto na América Latina!

Educação sexual para decidir, anticoncepcionais para não abortar, aborto legal para não morrer. É com esse lema que organizações feministas latino-americanas e caribenhas celebram o 28 de setembro, escolhido como o Dia pela Descriminalização do Aborto na América Latina e no Caribe.
A proibição do aborto na maioria dos países da região não impede que as mulheres recorram à prática para interromper uma gravidez indesejada. De acordo com informações da Rede Feminista de Saúde, mais de quatro milhões de mulheres latino-americanas e caribenhas abortam a cada ano e cerca de seis mil mulheres morrem todos os anos em decorrência da prática do aborto inseguro.
Além do problema de saúde pública, a Campanha ainda considera o aborto como uma questão de direitos humanos e de democracia, em que a mulher tem o direito de decidir sobre a gravidez.
Ao mesmo tempo, as organizações ligadas à Campanha também defendem o Estado laico e apontam a descriminalização do aborto como uma questão de justiça social, já que quem mais sofre com o aborto inseguro é a mulher pobre.
Alguns países da região continuam a proibir todos os tipos de aborto, inclusive o terapêutico, praticado quando a grávida corre risco de perder a vida. É o caso de Nicarágua, El Salvador, Chile e República Dominicana.
Fonte: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2130:27092011-dia-28-de-setembro-data-reforca-luta-pela-descriminalizacao-do-aborto-na-regiao&catid=40:noticias
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Antes tarde do que nunca?
As mulheres da Arábia Saudita poderão votar e se candidatar em eleições pela primeira vez desde que a monarquia al-Saud instalou-se no poder, há 88 anos. A medida foi anunciada ontem pelo rei Abdullah bin Abdulaziz al-Saud e valerá a partir de 2015 - excluindo a votação da próxima semana. A decisão é uma tentativa de reduzir a pressão popular que aumentou com as revoltas em outros países árabes e foi celebrada por ativistas, que aguardam há anos outros avanços, como o direito de dirigir, trabalhar, viajar ou passar por algumas cirurgias médicas sem a permissão de um homem da família.
Em discurso transmitido pela TV, o rei Abdullah afirmou que "se recusa a marginalizar as mulheres na sociedade e em todos os papéis que cumprem".
"Apesar da eficácia questionada dos conselhos, o envolvimento das mulheres é necessário. Talvez depois haja outras mudanças", disse Naila Attar, que organizou a campanha pelo direito das mulheres ao voto.A escritora Wajeha al Huwaider também elogiou a iniciativa do rei. "A voz da mulher finalmente será ouvida", disse. "Agora é hora de quebrar outras barreiras, como as proibições de dirigir e trabalhar, e de viver uma vida normal, sem homens guardiões", completou.
Fonte: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2126:26092011-mulheres-sauditas-ganham-direito-de-votar&catid=42:noticias
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Oportunidades iguais para mulheres aumenta produção, diz Banco Mundial
(Folha de S.Paulo/Terra) Se as mulheres não fossem discriminadas no mercado de trabalho, a produtividade subiria até 25%. É o que revela estudo do Banco Mundial (Bird), que aponta que a igualdade de gênero não é por si só importante, mas também faz parte de uma política econômica inteligente.
Segundo o estudo, se homens e mulheres tivessem oportunidades iguais para obter um emprego, a produtividade em nível mundial poderia apresentar um crescimento entre 3% e 25%. Na América Latina, o aumento da produtividade poderia chegar a 16%.
"A mensagem principal é a de que a igualdade de gênero não só é importante por si mesma mas também faz parte de uma política econômica inteligente", diz Ana Revenga, uma das autoras da pesquisa divulgada em relatório do Banco Mundial sobre igualdade de gênero e desenvolvimento.
Com base em pesquisas realizadas por diversos pesquisadores autônomos e organismos internacionais nas últimas décadas, o documento intitulado Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 2012 indica que as mulheres continuam sendo as maiores responsáveis pelas atividades domésticas e ainda enfrentam discriminação em determinados nichos de trabalho vistos como "tipicamente masculinos". Assim, elas se tornaram maioria no mercado informal e são empregadas com maior frequência em atividades de menor remuneração.
"As mulheres são condicionadas a aceitar esses lugares que garantem menos direitos trabalhistas porque não conseguem entrar em outros mercados de trabalho, principalmente porque precisam compatibilizar as tarefas do lar com as tarefas produtivas", avalia Télia Negrão, coordenadora da Rede Nacional Feminista de Saúde.
Para ela, a principal forma de interromper o ciclo se dá por políticas públicas. O investimento do governo na construção de creches e escolas e na implementação de programas de planejamento familiar são algumas alternativas apontadas.
Desigualdade também se reproduz no meio rural
Igualmente, dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) apontam que a produção agrícola em países em desenvolvimento aumentaria até 4% se homens e mulheres tivessem o mesmo acesso a crédito e insumos.
Em 2002, segundo o relatório, as mulheres possuíam menos de 11% das propriedades de terra no Brasil.
Mudanças sociais acontecem mais rápido, mas não garantem igualdade
Apesar dos obstáculos, o relatório aponta avanços expressivos: nos últimos 30 anos, mais de 500 milhões de mulheres foram incorporadas ao mercado de trabalho."Um dos fenômenos mais notáveis é o aumento massivo da matrícula universitária através do mundo. Para os homens, ela foi multiplicada por quatro nas últimas duas décadas. Para as mulheres, foi multiplicado por sete", afirma Ana Revenga.
De acordo com o Banco Mundial, entre os principais motivos para esse rápido crescimento estão programas de transferência de renda, maior incentivo à educação e crescimento econômico continuado. "No caso do Brasil, há um destaque para o crescimento econômico em diferentes classes da sociedade", ressaltou Ana Revenga.
Mas o relatório do pelo Banco Mundial alerta também que políticas voltadas para o crescimento econômico e para o aumento da renda de um país, por si só, não reduzem as desigualdades de gênero. Dados indicam que as mulheres têm maior probabilidade de morrer, em relação aos homens, em países de baixa, média e alta renda.
Por fim, o documento destaca que, em muitos países, as mulheres têm menor participação ativa nas decisões e menos controle sobre os recursos da família, além de participarem menos da política formal e de serem sub-representadas em escalões superiores.
Fonte: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2108&catid=44
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Absolvição do aborto entrou no mercado em Madri
Um Papa não pode perder dignidade nem colocar os serviços da Igreja à disposição do mercado. Pois foi o que ocorreu em Madri por ocasião do encontro internacional do Papa com os jovens. Mulheres que cometeram aborto,presentes no encontro, ganhavam o perdão e de lambuja ainda uma indulgência plenária. Bastava estar lá e se confessar nos 200 confessionarios na Praça do Retiro. As coisas deixaram de ser sérias e voltamos ao tempo medieval em que se vendiam perdões e indulgências a quem podia pagar, como estas mulheres que puderam pagar suas passagens e estar em Madri. E as demais milhões de mulheres do mundo inteiro? Ivone Gebara é teóloga,tempos atrás também submetida como eu “ao silêncio obsequioso”, por criticar a insensibilidade da moral católica face ao sofrimento humano, especialmente em questões de sexualidade e agora contra os dois pesos e as duas medidas face à questão do aborto. Trabalha no Recife em meios populares pobres e sabe dos padecimentos das mulheres, além de escrever teologia com rigor e em tom de profecia. Aqui vai o artigo-protesto dela com a qual me solidarizo. LB
DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS:O PAPA PERDOA ABORTO EM MADRI
fonte: http://www.ciranda.net/fsm-dacar-2011/article/dois-pesos-e-duas-medidas-o-aborto
quarta-feira 24 de agosto de 2011, por Ivone Gebara
É com muito constrangimento que muitas mulheres católicas leram a notícia publicada em vários jornais nesse último final de semana de que a Arquidiocese de Madri com aprovação papal autorizou a concessão do perdão e indulgência plenária às mulheres que confessarem o aborto por ocasião da visita do papa. A impressão que tivemos é que o papa, o Vaticano e alguns bispos gostam de brincadeiras de mau gosto com as mul heres. Não sabemos em que mundo esses homens vivem, quem pensam que são e quem pensam que somos!
Primeiro, concedem o perdão a quem pode viajar para assistir a missa do papa e passar pelo “confessionódromo” ou pelo conjunto de duzentos confessionários brancos instalados numa grande Praça pública de Madri chamada “Parque do Retiro”. O perdão deste “pecado” tem local, dia e hora marcada. Custa apenas uma viagem a Madri para estar diante do papa! Quem não faria o esforço para tão grande privilégio? Basta ter dinheiro para viajar e pagar a estadia em algum hotel de Madri que o perdão poderá ser alcançado. Por isso nos perguntamos: que alianças a prática do perdão na Igreja tem com o capitalismo atual? Como se pode viver tal reducionismo teológico e existencial? Quem está tirando benefícios com esse comportamento?
Segundo, têm o desplante de afirmar que o perdão deste “crime hediondo” como eles costumam afirmar, é dado apenas por ocasião da visita do papa para que nessa mesma ocasião as fiéis pecadoras obtenham “os frutos da divina graça” confessando o seu pecado. – Como entender que uma falta é perdoada apenas quando a autoridade máxima está presente? Não estariam reforçando o velho e decadente modelo imperial do papado? Quando o Imperador está presente tudo é possível até mesmo a expressão da contradição em seu sistema penal.
Não quero retomar os argumentos que muitas de nós mulheres sensíveis às nossas próprias dores temos repetido ao longo de muitos anos numa breve reflexão como esta. Mas esse acontecimento papal madrilenho, infelizmente, só mostra mais uma vez, um lado ainda bastante vivo no Vaticano, ou seja, o lado das querelas medievais em que questões absolutamente sem peso na vida humana eram discutidas. E mais, demonstra desconhecer as dores femininas, desconhecer os dramas que situações de violência provocam em nossos corpos e corações.
Ao conceder o perdão ao “crime” do aborto na linguagem que sempre usaram, de forma elitista revelam o rosto ambíguo da instituição religiosa capaz de ceder ao aparato triunfalista quando sua credibilidade está em jogo. Podem abençoar tropas para matar inocentes, enviar sacerdotes como capelães militares em guerras sempre sujas, fazer afirmações públicas em defesa da instituição condenando pobres e oprimidas, abrir exceções à regra de seus comportamentos para atrair jovens alienados dos grandes problemas do mundo ao rebanho do Papa. A lista dos usos e costumes transgressores de suas próprias leis é enorme…
Por que reduzir a vida cristã a pão e circo? Por que dar um espetáculo de magnanimidade em meio a corrupção dos costumes? Por que criar ilusões sobre o perdão quando o dia a dia das mulheres é cheio de perseguições e proibições às suas escolhas e competências?
Somos convidadas/os a pensar no aspecto nefasto da posição do papa e dos bispos que se aliaram a ele. O papa não concedeu perdão e indulgência total ou plena “urbe et orbe”, i sto é, para todas as mulheres que fizeram aborto, mas apenas àquelas que se confessaram naquele momento preciso e por ocasião da visita do papa à Espanha. Não é mais uma vez a utilização das consciências especialmente das mulheres para fins de expansionismo de seu modelo perverso de bondade? Não é mais uma vez abrir concessões obedecendo a uma lógica autoritária que quer restaurar os antigos privilégios da Igreja em alguns países europeus? Não é uma forma de querer comprar as mulheres confundindo-as diante da pretensa magnanimidade dos hierarcas?
Será que as autoridades constituídas na Igreja Católica e de outras Igrejas são ainda cristãs? São ainda seguidoras dos valores éticos humanistas que norteiam o respeito a todas as vidas e em especial à vida das mulheres?
Creio que mais uma vez somos convocadas/os a expressar publicamente nosso sentimento de repúdio à utilização da vida de tantas mulheres como pretexto de magnanimidade do coração papal. Somos convidada s/os a tornar pública a corrupção dos costumes em todas as nossas instituições inclusive naquelas que representam publicamente nossas crenças religiosas. Somos convidadas/os a ser o corpo visível de nossas crenças e opções.
Fazendo isso, não somos melhores do que ninguém. Somos todas pecadoras e pecadores capazes de ferir uns aos outros, capazes de hipocrisia e mentira, de crueldade e crueldade refinada. Mas, também somos capazes de dividir nosso pão, de acolher a abandonada, de cobrir o nu, de visitar o prisioneiro, de chamar Herodes de raposa. Somos essa mistura, expressão de nosso eu, de nossos deuses, dos espinhos em nossa carne convidando-nos e convocando-nos a viver para além das fachadas atrás das quais gostamos de nos esconder.
*A teóloga IVONE GEBARA é doutora em Filosofia pela Universidade Católica de São Paulo e em Ciências Religiosas pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. 21 de agosto de 2011.